Archive for the ‘superstição’ Category
para a inflamação dos seios da mulher
Quando Deus andava pelo mundo foi dormir a uma casa; o dono dela era muito bom e a mulher muito ruim. a mulher fez-lhe a cama sobre uma grade e por baixo estava lama, e depois de noite começou a doer muito um peito à mulher que tinha leite; ela estava muito mal e o homem perguntou se ele (o Senhor), como andava por muita terra, se lhe saberia dar um remédio à mulher; e o Senhor disse-lje: “olha, faz-lhe três cruzes e diz:
O Senhor pediu pousada;
Bom homem lhe deu pousada,
E má mulher lhe fez a cama,
Numa grade sobre lama.
Sara peito, sara mama.”
Coelho, Adolfo. Festas, Costumes e outros materiais para uma Etnologia de Portugal, Vol.I, Lisboa, Publicações D. Quixote, 1993
para as queimaduras e escaldaduras
Santa Iria
Três filhas tinhas;
Uma urdia,
Outra tecia,
Outra em fogo
Ardente vivia.
Encontrou Nossa Senhora,
E ela lhe disse que talharia,
Que lhe cuspisse e talhasse
Três vezes ao dia
Coelho, Adolfo. Festas, Costumes e outros materiais para uma Etnologia de Portugal, Vol.I, Lisboa, Publicações D. Quixote, 1993
para talhar o fogo louro
Chama-se fogo louro no Minho a uma certa erupção cutânea localizada no pescoço; é crença que é um bicho e que se rodeia o pescoço todo, se se une a cabeça com a causa do bicho, o doente morre irremediavelmente. Para talhar o fogo louro, toma-se esparto de um archote queimado e palhas de alhos, também queimados, e cortam-se miudamente com uma tesoura dizendo:
Eu te corto a cabeça,
Eu te corto a cabeça,
Eu te corto o corpo,
Eu te corto o rabo,
Eu te corto todo.
Depois deita-se isso sobre o pescoço do doente dizendo:
Eu o Tejo e o Douro
E o Minho passei;
Fogo louro
Talhei
Coelho, Adolfo. Festas, Costumes e outros materiais para uma Etnologia de Portugal, Vol.I, Lisboa, Publicações D. Quixote, 1993