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	<title>da terra &#187; romances</title>
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	<description>do folclore, das lendas, das histórias, dos trajes e das gentes da terra</description>
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		<title>da terra &#187; romances</title>
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		<title>O cego fingido</title>
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		<pubDate>Wed, 02 Jan 2008 18:18:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>madameclock</dc:creator>
				<category><![CDATA[etnografia]]></category>
		<category><![CDATA[minho]]></category>
		<category><![CDATA[romances]]></category>

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		<description><![CDATA[- Donde vens, ó Ana?
- Eu venho da missa.
- Retira-te, ó Ana,
Que lá vem justiça.
- Se lá vem justiça
Deixai-me ir embora
Que a minha portinha
Não se abre agora.
Qual é o vadio
Que a esta hora anda
Que eu estou em faxinhas
Para me ir à cama
- Se estás em faixinhas,
Eu assim te quero;
Se hás-de ser minha
Eu por ti espero.
- [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=daterra.wordpress.com&blog=2288038&post=18&subd=daterra&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>- Donde vens, ó Ana?</p>
<p>- Eu venho da missa.</p>
<p>- Retira-te, ó Ana,</p>
<p>Que lá vem justiça.</p>
<p>- Se lá vem justiça</p>
<p>Deixai-me ir embora</p>
<p>Que a minha portinha</p>
<p>Não se abre agora.</p>
<p>Qual é o vadio</p>
<p>Que a esta hora anda</p>
<p>Que eu estou em faxinhas</p>
<p>Para me ir à cama</p>
<p>- Se estás em faixinhas,</p>
<p>Eu assim te quero;</p>
<p>Se hás-de ser minha</p>
<p>Eu por ti espero.</p>
<p>- Acorde minha mãe,</p>
<p>Do doce dormir;</p>
<p>Venha ver o cego</p>
<p>Tocar e pedir.</p>
<p>- Se toca e pede,</p>
<p>Dá-lhe pão e vinho,</p>
<p>Para que o cego</p>
<p>Siga o seu caminho.</p>
<p>- Nem quero o seu pão,</p>
<p>Nem quero o seu vinho;</p>
<p>Queria que a menina me ensine o caminho.</p>
<p>- Ora vai, filha, vai,</p>
<p>Leva roca e linho</p>
<p>E ensina o caminho</p>
<p>ao triste ceguinho.</p>
<p>- Espere lá, ó cego,</p>
<p>Que eu estou-me vestindo</p>
<p>Minha saia roxa,</p>
<p>Meu gibão de linho.</p>
<p>Espiou-se-me a roca, Acabou-se-me o linho;</p>
<p>Adiante, cego,</p>
<p>Lá vai o caminho.</p>
<p>Lá mais adiante</p>
<p>Está um verde pinho.</p>
<p>Ora venha menina</p>
<p>Mais um bocadinho,</p>
<p>E ensine o caminho</p>
<p>Ao triste ceguinho.</p>
<p>- Valha-me Deus</p>
<p>É a virgem Maria,</p>
<p>Que vejo tanta gente</p>
<p>De cavalaria</p>
<p>Nunca eu vi cego</p>
<p>Com tal fantasia;</p>
<p>Sua espada d&#8217;ouro</p>
<p>À cinta trazia</p>
<p>De condes e duques</p>
<p>Era pretendida;</p>
<p>Agora dum cego</p>
<p>Me vejo perdida.</p>
<p>Ascuite, menina,</p>
<p>Não teu há agonia</p>
<p>Que eu sou o mesmo conde</p>
<p>Que a pretendia.</p>
<p>Adeus minhas casas,</p>
<p>Adeus minhas terras,</p>
<p>Adeus minha mãe,</p>
<p>Que tão falsa me eras.</p>
<p>Estando à minha janela,</p>
<p>Dei volta para a Ferraria;</p>
<p>Passou um certo sujeito</p>
<p>Olhou mais do que olharia.</p>
<p>Se ele tornar a olhar</p>
<p>Alguma lhe hei-de dizer</p>
<p>Que não vá dizer o mundo</p>
<p>Que isto é por bem querer.</p>
<p>- &#8220;Se isto é por bem querer,</p>
<p>Não importa que o diga;</p>
<p>Se eu olho para cima,</p>
<p>O seu amor me obriga.&#8221;</p>
<p>- &#8220;Não sei que o obrigue.</p>
<p>Nem que o possa obrigar,</p>
<p>Estando à minha janela,</p>
<p>Tão sisuda sem falar.&#8221;</p>
<p>- &#8220;Essa sisudez</p>
<p>Ainda é o que mais m&#8217;obriga,</p>
<p>Que é o melhor dos modos</p>
<p>Que tem uma rapariga.&#8221;</p>
<p>- &#8220;Ó meu pai e minha mãe,</p>
<p>Uma lhes quero dizer;</p>
<p>Falaram-me em casamento,</p>
<p>Sem vocemecês saber.&#8221;</p>
<p>- &#8220;Qual foi o cavalheiro,</p>
<p>Que a tal se atreveu;</p>
<p>Falar nesse casamento</p>
<p>Sem saber se quero eu!&#8221;</p>
<p>- &#8220;Vá-se meu pai informar</p>
<p>E venha bem informado,</p>
<p>Que, se ele é de seu gosto,</p>
<p>É muito do meu agrado.&#8221;</p>
<p>- &#8220;Não tenho que te dizer,</p>
<p>Nem tão pouco que m&#8217;informar.</p>
<p>Era um maroto, um brejeiro,</p>
<p>Que te queria enganar.&#8221;</p>
<p>- &#8220;Vá-se lá, sei cavaleiro,</p>
<p>Case lá com quem quiser,</p>
<p>Que não é meu pai contente,</p>
<p>Que eu seja sua mulher.&#8221;</p>
<p>&#8220;Dá-me cá aquela faca</p>
<p>Que me quero matar&#8221;</p>
<p>- &#8220;Se ele morre por mim,</p>
<p>Por ele quero morrer;</p>
<p>Adeus, meu pai e minha mãe,</p>
<p>Que os não torno a ver.&#8221;</p>
<p>(Celorico de Basto)</p>
<p>Coelho, Adolfo. Festas, Costumes e outros materiais para uma Etnologia de Portugal, Vol.I, Lisboa, Publicações D. Quixote, 1993</p>
<p>PS: Também deste romance se pode ouvir uma versão dos Gaiteiros de Lisboa no álbum &#8220;Novas vos trago&#8221;, entitulada &#8220;O Falso Cego&#8221;.</p>
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		<title>Donzela que vai à guerra</title>
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		<pubDate>Wed, 02 Jan 2008 17:57:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>madameclock</dc:creator>
				<category><![CDATA[etnografia]]></category>
		<category><![CDATA[minho]]></category>
		<category><![CDATA[romances]]></category>

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		<description><![CDATA[- Dai-me armas e cavalo,
Que eu serei filha varão.
- Tende-los olhos mui lindos
Filha, conhecer-vos-ão.
-Quando passar por a gente
Botarci-os para o chão.
- Tendes os ombros mui altos,
Filha, conhecer-vos-ão.
- Dai-me armas bem, pesadas
Que eles descerão.
- Tende-las mãos muito lindas
Filha, conhecer-vos-ão.
- Metê-as-ei numas luvas,
Nunca delas sairão.
- Tende-lo pé pequenino,
Filha, conhecer-vos-ão
- Meterei-os numas botas
Nunca delas sairão.
- Ó minha mãe, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=daterra.wordpress.com&blog=2288038&post=17&subd=daterra&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p>- Dai-me armas e cavalo,</p>
<p>Que eu serei filha varão.</p>
<p>- Tende-los olhos mui lindos</p>
<p>Filha, conhecer-vos-ão.</p>
<p>-Quando passar por a gente</p>
<p>Botarci-os para o chão.</p>
<p>- Tendes os ombros mui altos,</p>
<p>Filha, conhecer-vos-ão.</p>
<p>- Dai-me armas bem, pesadas</p>
<p>Que eles descerão.</p>
<p>- Tende-las mãos muito lindas</p>
<p>Filha, conhecer-vos-ão.</p>
<p>- Metê-as-ei numas luvas,</p>
<p>Nunca delas sairão.</p>
<p>- Tende-lo pé pequenino,</p>
<p>Filha, conhecer-vos-ão</p>
<p>- Meterei-os numas botas</p>
<p>Nunca delas sairão.</p>
<p>- Ó minha mãe, que eu morro.</p>
<p>Abafo do coração</p>
<p>Que os olhos de D.Cales,</p>
<p>São de mulher, de homem não,</p>
<p>- Convida-o meu filho, convida-o,</p>
<p>Para contigo passear,</p>
<p>Que se ela mulher for</p>
<p>Às flores se há-de atentar.</p>
<p>- Forte flor para uma dama,</p>
<p>Quem lha fora lá levar.</p>
<p>Forte cidrão é este</p>
<p>Para um homem cheirar.</p>
<p>- Ó minha mãe, eu morro,</p>
<p>Abafo do coração</p>
<p>Que os olhos de D.Cales</p>
<p>São de mulher, de homem não.</p>
<p>- Convida-o meu filho, convida-o,</p>
<p>Para contigo passear,</p>
<p>Que se ela mulher for</p>
<p>Às fitas de há-de atentar.</p>
<p>- Forte fita para uma dama</p>
<p>Quem lha fosse lá levar;</p>
<p>Fortes alças e chapéus</p>
<p>Para um homem comprar.<br />
- Ó minha mãe, eu morro,</p>
<p>Abafo do coração</p>
<p>Que os olhos de D.Cales</p>
<p>São de mulher, de homem não.</p>
<p>- Convida-o meu filho, convida-o,</p>
<p>Para comigo nadar ,</p>
<p>Que se ela  for mulher,</p>
<p>Mil escusas te há-de dar.</p>
<p>- Adeus, que me vou embora,</p>
<p>Adeus meu conde e senhor;</p>
<p>Há dois anos que o serve</p>
<p>Esta Dona Leonor</p>
<p>(Celorico de Basto)</p>
<p>Coelho, Adolfo. Festas, Costumes e outros materiais para uma Etnologia de Portugal, Vol.I, Lisboa, Publicações D. Quixote, 1993</p>
<p>PS: Podemos escutar uma adaptação deste romance pela voz de Amélia Muge na música &#8220;Donzela Guerreira&#8221; inserida no álbum &#8220;Novas vos trago&#8221;, Vários  Artistas.</p>
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