da terra

do folclore, das lendas, das histórias, dos trajes e das gentes da terra

Archive for Dezembro 2007

para a inflamação dos seios da mulher

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Quando Deus andava pelo mundo foi dormir a uma casa; o dono dela era muito bom e a mulher muito ruim. a mulher fez-lhe a cama sobre uma grade e por baixo estava lama, e depois de noite começou a doer muito um peito à mulher que tinha leite; ela estava muito mal e o homem perguntou se ele (o Senhor), como andava por muita terra, se lhe saberia dar um remédio à mulher; e o Senhor disse-lje: “olha, faz-lhe três cruzes e diz:

O Senhor pediu pousada;

Bom homem lhe deu pousada,

E má mulher lhe fez a cama,

Numa grade sobre lama.

Sara peito, sara mama.”

Coelho, Adolfo. Festas, Costumes e outros materiais para uma Etnologia de Portugal, Vol.I, Lisboa, Publicações D. Quixote, 1993

Escrito por madameclock

Dezembro 28, 2007 em 2:07 am

Orações e Ensalmos do Minho

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Imagem retirada daqui

Escrito por madameclock

Dezembro 28, 2007 em 1:37 am

para as queimaduras e escaldaduras

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Santa Iria

Três filhas tinhas;

Uma urdia,

Outra tecia,

Outra em fogo

Ardente vivia.

Encontrou Nossa Senhora,

E ela lhe disse que talharia,

Que lhe cuspisse e talhasse

Três vezes ao dia

Coelho, Adolfo. Festas, Costumes e outros materiais para uma Etnologia de Portugal, Vol.I, Lisboa, Publicações D. Quixote, 1993

Escrito por madameclock

Dezembro 28, 2007 em 1:32 am

para talhar o fogo louro

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Chama-se fogo louro no Minho a uma certa erupção cutânea localizada no pescoço; é crença que é um bicho e que se rodeia o pescoço todo, se se une a cabeça com a causa do bicho, o doente morre irremediavelmente. Para talhar o fogo louro, toma-se esparto de um archote queimado e palhas de alhos, também queimados, e cortam-se miudamente com uma tesoura dizendo:

Eu te corto a cabeça,

Eu te corto a cabeça,

Eu te corto o corpo,

Eu te corto o rabo,

Eu te corto todo.

Depois deita-se isso sobre o pescoço do doente dizendo:

Eu o Tejo e o Douro

E o Minho passei;

Fogo louro

Talhei

Coelho, Adolfo. Festas, Costumes e outros materiais para uma Etnologia de Portugal, Vol.I, Lisboa, Publicações D. Quixote, 1993

Escrito por madameclock

Dezembro 28, 2007 em 1:23 am

E o que é o povo português?

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“De onde vem o uso de queimar um madeiro na noite de Natal, não sei bem dizê-lo, porém, é certo que na vila de Idanha-a-Nova não só se queima publicamente um como às vezes três ou quatro. Três semanas antes, ou um mês, da noite de 24 de Dezembro, vão ao campo buscar o madeiro, que para este fim de semana se acha já cortado, sendo quase sempre escolhido para ele uma das árvores mais corpulentas. Se o carro quebra, ou os bois cansam, vão outros buscá-lo, e por último conseguem trazê-lo com acompanhamento de chulas e descantes até ao sítio em que deve ser queimado, e onde o descarregam, saudando-o nessa ocasião com um prolongado vito! Deste modo deitam mais dois ou três nos adros de diferentes igrejas. chegada a véspera do Natal, logo ao cerrar da noite lhes largam o fogo, e depois começam a malhar neles, a ver quem tira maior lasca, e cada uma que se despede é de novo festejada com um vito! por todos quantos se acham presentes. Dura isto até à missa do galo; e quando esta chega, não só têm lucrado os que, cantando e tocando, a esperam em roda do madeiro, como também os que moram nas casas mais próximas, e vão ou mandam buscar as brasas para se aquecerem, quando vêem que as marteladas as têm espalhado” (Idanha-a-Novas. D. Luísa Maria, no almanaque de Lembrabças para 1864, pp. 377 e seg.)

Coelho, Adolfo. Festas, Costumes e outros materiais para uma Etnologia de Portugal, Vol.I, Lisboa, Publicações D. Quixote, 1993

Imagem retirada deste arquivo digital de trajes típicos

Escrito por madameclock

Dezembro 14, 2007 em 8:55 pm

Definição de Etnografia

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Quem não confessará que das mutuas relações milenarias, existentes entre os individuos que formam os agrupamentos chamados povos, resulta adquirir cada uma d’estes certa comunidade de costumes, de pensar, de sentir, de querer, e até de aspecto físico (modo de andar, de gesticular, etc.), além da que nasce da igualdança da fala, e da que póde advir da comunidade de origem? Tal unidade outorga-lhe natural autonomia, o que contribue para que a mór parte das vezes não se confunda, á primeira vista, ainda abstraindo das diferenças idiomáticas, um Castelhano, por exemplo, ou um Francês, com um Português. Qualquer pessoa, ao entrar numa nação estranha, apesar de vizinha ou afim, ou da mesma linguagem, logo reconhece que passou a um ambiente que diverge do seu proprio: outra aparencia arquitectonica, outro trajar do vulgo, outra maneira de entabolar contactos sociais: está, sem dúvida alguma, fóra de casa! (…)

Pertence a uma sciencia chamada Etnografia examinar o que é que dá indole e coesão a um povo, e o distingue de outro; o que nele é congenito e primitivo, ou que, com o tempo, e por apropriação do que lhe chegou de outro povo, se tornou tipico; os produtos directos (imediatos) e indirectos (mediatos) da sua psique, espontaneos, ou assim julgados.”

Vasconcelos, José Leite. Etnografia Portuguesa, Vol.I, Lisboa, Imprensa Nacional. Casa da Moeda, 1933

Escrito por madameclock

Dezembro 14, 2007 em 8:44 pm

da terra, com ignorância e curiosidade

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Quero apresentar-me, não sei a quem, a alguém, antes de começar a sério. Chamo-me Joana. Tenho 22 anos e estudo Psicologia Experimental, Memória. Sempre gostei de música tradicional, de instrumentos esquisitos, de vozes esganiçadas e de roupas bordadas. Decobri recentemente a Etnomusicologia e no espaço de meses replaneei a vida futura, ao passar na biblioteca para requisitar livros sobre Multimédia saio com eles a esconder livros sobre as festas da Nossa Senhora da Agonia em Viana do Castelo. Etnomusicologia, Etnoqualquercoisa, é disso que gosto. De ouvir histórias, de compreender o sentido das coisas agora. Engraçado, de memórias. E o que pretendo com este espaço é compilar as minhas descobertas, referenciando sempre a sua origem, sobre a cultura tradicional de Portugal e afins.

Vamos lá por mãos as na massa!

Escrito por madameclock

Dezembro 9, 2007 em 1:34 am

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